domingo, 9 de agosto de 2015

Diploma em 60 prestações


Por Edson Vidigal
Outro dia, infelizmente, ouvi de um aluno, com profunda tristeza e indignação, que este estava pagando por um produto: o conhecimento. Algo dito em alto e bom tom, com absoluta convicção.
Fico muito triste pela mentalidade que restou consagrada nos bancos acadêmicos de um tempo onde se pensa que o conhecimento é um produto, e que este pode ser comprado.
Na verdade, há muito, muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante, esta quase poderia ter sido uma máxima sofista. Foram os sofistas gregos que advogaram ser o conhecimento nada mais que a arte de convencer, a exemplo de Protágoras, que dizia ser o homem a medida de todas as coisas. Eles foram os primeiros professores profissionais da História ocidental, pois cobravam para ensinar tal arte. Mas mesmo eles não vendiam conhecimento. (Platão em alguns de seus diálogos iria além na polêmica aqui tratada, questionando: A verdade pode ser ensinada?)
Por mais que não concorde com tal visão sofística do conhecimento, acrescento que a sofística daquele tempo era feita com argumentos válidos, frutos de profunda reflexão e de árduo trabalho de pesquisa, de leitura, de pensamento, de discussões dialéticas e de construção de conhecimento. De preparo e dedicação a uma causa na qual acreditavam.
Muito pior que aquela, a nova sofística é oca, vazia de tudo, alienada, desprovida de razão, de estudo, de preparo. Desprovida de conteúdo e, principalmente, de valores.
Uma sofística que acredita que tudo pode ser vendido, ou comprado.
Cabe ponderar que o conhecimento não é algo independente do sujeito. Não se pode simplesmente abrir uma embalagem bem transada de conhecimento e ingeri-lo aos goles. Ainda não inventaram a pílula do conhecimento.
O conhecimento não se vende, não se compra. Não é produto alienável.
É fruto de uma relação entre um sujeito que quer conhecer e um objeto que pode (ou não) ser conhecido.
Nenhum professor, nem ninguém, consegue abrir a cabeça de um aluno e enfiar nela conhecimento. Nenhuma faculdade consegue isso, e nenhuma faculdade pode vender um produto chamado conhecimento.
As instituições de ensino vendem, sim, um serviço. O serviço de propiciar aos alunos o contato com o conhecimento produzido por outros. O serviço de tentar expô-los a métodos que podem levar o próprio aluno a encontrar o seu conhecimento. Ou, como entendo, que possa levá-lo a construir o seu conhecimento.
O processo de construção de conhecimento é árduo, cansativo, difícil, lento e arriscado. E o pior de tudo é que ninguém pode trilhar esse caminho pelo aluno. O máximo que se pode fazer é pegá-lo pela mão e conduzi-lo por entre as veredas do conhecimento, por caminhos que você já seguiu e que já conhece um pouco mais que ele.
Poucos alunos atualmente estão dispostos a seguir por este caminho na busca de construírem o seu conhecimento. A grande maioria prefere acreditar que simplesmente se pode pagar por um produto.
E isso tudo em apenas 60 prestações.
A pior mentira é aquela que contamos a nós mesmos…

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Autismo:o lado bom

Ludwig Wittgenstein, gênio da filosofia, começou a falar só aos 4 anos. Estudou com tutores particulares em sua casa, em Viena, até os 14 anos. Sem conseguir passar no vestibulinho do colegial, foi parar em 1903 na escola técnica de Linz (a mesma de Adolf Hitler, de quem não foi colega, pois o futuro ditador estava dois anos atrasado nos estudos). Mas ele simplesmente não se interessava pelos colegas. A solidão e a dislexia fizeram dele um perfeito alvo de bullying. "Nunca consegui expressar metade do que queria. Na verdade, não mais que um décimo", contou em suas memórias. 

Assim foi o jovem Wittgenstein. Mas sua excentricidade e o fato de ter revolucionado a filosofia no século 20 não são uma contradição, segundo o professor Michael Fitzgerald, do Trinity College, em Dublin. O psiquiatra vê em sua biografia sintomas que caracterizam a síndrome de Asperger - um tipo de autismo que, aliado a um intelecto avantajado, pode ser a base da genialidade.

Todo autista se foca obsessivamente em interesses muito específicos, tem comportamentos repetitivos e não se interessa em interagir com outras pessoas. Mas, enquanto a imagem mais comum é a da criança ensimesmada balançando para a frente e para trás, o espectro do autismo vai desde o atraso mental até o desenvolvimento linguístico e cognitivo completo - caso da síndrome de Asperger. Quem tem essa síndrome não se interessa em dividir experiências e emoções, tem padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento e de interesses e não abre mão de sua rotina. Isso torna o convívio difícil - mas pode ter um efeito colateral inesperado. 

"Muitas características da síndrome de Asperger aumentam a criatividade", escreve Fitzgerald em Autism and Creativity (Autismo e Criatividade). "Pessoas assim têm uma capacidade extraordinária para focar-se em um tópico por um longo período - dias, sem interrupção nem mesmo para as refeições. Não desistem diante de obstáculos." E não é apenas a concentração. A forma como entendem o mundo é diferente. Quando veem uma coisa, apreendem o detalhe para então sistematizar como funciona o geral - enquanto a maioria das pessoas apreende o geral para depois se afunilar em detalhes. Isso é um enorme ponto positivo para engenheiros, físicos, matemáticos, músicos.

Não que não haja um lado negativo. Portadores da síndrome de Asperger também têm dificuldade em aceitar e adotar regras sociais. Por isso, muitas vezes parecem ter personalidade infantil. Quando entrou para a faculdade de engenharia, Wittgenstein se fascinou pela obra Os Princípios da Matemática, de Bertrand Russell. Em 1911, mudou-se para a Universidade de Cambridge para estudar com Russell. Nos primeiros dias, chegava à sala do mestre à noite e seguia até a manhãzinha desdobrando suas ideias como que em um monólogo. Em 1926, quando terminou a defesa oral de sua tese de doutorado, deu um tapinha nos ombros dos examinadores. "Não se preocupem. Eu sei que vocês nunca conseguirão entender", disse. Wittgenstein começou então a dar aulas. Em seus seminários, era como se não houvesse uma audiência. Lutava com seus pensamentos e volta e meia caía em silêncios que nenhum estudante ousava interromper. Qualquer comentário que considerasse estúpido era retrucado brutalmente.

Para escrever Investigações Filosóficas, sua maior obra, ficou isolado numa cabana na Irlanda. Certa vez, o caseiro, que o havia visto conversando, perguntou-lhe se tivera uma boa companhia. A resposta foi: "Sim, falei muito com um ótimo amigo - eu mesmo". Numa carta a Bertrand Russell, escreveu: "Estar sozinho me faz um bem infinito, e não acho que agora poderia suportar a vida entre pessoas". O único grande prazer social do filósofo era discutir seus interesses - lógica, linguística e música. O mundo real pouco lhe importava.

O gene da engenharia
Todo engenheiro é um pouco autista. Essa é a conclusão, polêmica, do psiquiatra Simon Baron-Cohen, de Cambridge. Simon buscava identificar se estudantes com sintomas da síndrome de Asperger tinham predisposição a escolher alguma área específica de conhecimento. Fez um levantamento com graduandos de Cambridge e viu que alunos de exatas eram os mais propensos a ter os sintomas. O estudo fez barulho suficiente para que os pais de alunos de Eindhoven, na Holanda, entrassem em contato com ele depois de identificarem uma epidemia de autismo na cidade, conhecida pela concentração de empresas tecnológicas. Baron-Cohen comparou Eindhoven com Haarlem e Utrecht - que têm número semelhante de habitantes - e levantou a porcentagem de pessoas empregadas em tecnologia: 30, 16 e 17%, respectivamente. Depois, pesquisou a prevalência de autismo diagnosticado nas cidades: 229 por 10 mil crianças em Eindhoven, contra 84 e 57 nas outras. Para Baron-Cohen, isso é indício de que regiões onde pais têm empregos relacionados à "sistematização", como o da tecnologia da informação, terão uma taxa de autismo maior em suas crianças. É um resultado polêmico: indica que as pessoas naturalmente mais aptas para as ciências exatas carregam mais genes ligados ao autismo do que a média da população. E mais: é uma evidência de que essa aptidão seja, por si só, uma forma leve de autismo.

Einstein, o autista
O psiquiatra Michael Fitzgerald identificou traços da síndrome de Asperguer, uma forma moderada de autismo, em 42 personalidades históricas. Conheça algumas delas.

ALBERT EINSTEIN
"Meu senso de justiça e de responsabilidade social sempre se contrastou com minha falta de necessidade de contato direto com outras pessoas ou comunidades. Sou de fato um viajante solitário e nunca pertenci a meu país, à minha casa, aos meus amigos ou mesmo à minha família", escreveu o físico nos ensaios Como Vejo o Mundo.

GLENN GOULD
Um dos maiores pianistas do século 20 não deixava ninguém tocá-lo e, quando mais velho, só se comunicava com o resto do mundo por telefone ou por cartas. Aos 32 anos parou de tocar em público e se fechou no estúdio. Afinal, para ele tocar música era um ato tão íntimo que não dava para conciliá-lo com a audiência.

LEWIS CARROLL
O escritor americano Mark Twain chegou a dizer que Carroll, matemático autor de Alice no País das Maravilhas, era interessante "somente para olhar." Era o homem "mais estiloso e mais tímido" que já tinha visto. Não dava autógrafos nem deixava ser retratado - mesmo sendo ele mesmo um fotógrafo amador. "Minha aparência e minha escrita pertencem somente a mim", escreveu em uma carta.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

Homem de Verdade









Homem de Verdade
Marcela Taís

Ele te tira pra dançar descabelada
sem motivo em qualquer lugar
Sabe, homens desse tipo são poucos
mas ainda se pode encontrar
Ele te arranca sorrisos, valoriza
te gosta do jeitinho que é
Do tipo raro que não ama só corpo
mas ama a alma da mulher
Ele é o homem de verdade
Que trata a filha do outro bem

Sabe que um dia também será pai
E quer que tratem sua filha assim também
Pois nem todos são iguais
Há homens puros e originais
Talvez não estampa em revistas
Mas, totalmente sensacionais
Que alma a alma da mulher

Homem de verdade, que sabe amar uma mulher
Ele é o homem de verdade
que sabe amar uma mulher
Homem de respeito, de atitude, de outro nível
Do tipo que ela quer de pai pros seus filhos
Não é status, nem bom papo
Homem de verdade é forjado de bom caráter
Não é perfeito, mas dá seu jeito
Por sua família luta
É do tipo que cuida e faz sua mulher segura

Ele é o homem de verdade
que sabe amar sua mulher
Ele é o homem de verdade
que sabe amar sua mulher


Poema Hebreu



1 Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

2 Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas.
3 Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos;desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento;e o seu fruto é doce ao meu paladar.
4 Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.
5 Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.
6 A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.
7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
8 Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.
9 O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.
10 O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
11 Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
12 Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
13 A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
14 Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa.
15 Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.
16 O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
17 Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter.



Cânticos 2:1-17



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Wellington apresenta Projetos de Lei em benefício dos doadores de sangue

Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (9), o deputado Wellington do Curso (PPS) apresentou dois Projetos de Lei em defesa dos doadores de sangue: um institui a Semana Estadual de Orientação e Incentivo à Doação de Sangue nas escolas de Ensino Médio das redes pública e privada; o outro dispõe sobre a baixa de pontuação na Carteira Nacional de Habilitação aos doadores de sangue do Maranhão.

De acordo com o parlamentar, que sempre esteve em defesa da solidariedade, tornam-se pertinentes os projetos, visto que, à medida com que cresceu o número de doadores, é importante que a população saiba que a necessidade de transfusões também aumentou.

"A doação de sangue é um ato que atrela a si a solidariedade e a preocupação com o próximo. Quem doa sangue, doa vida. O banco de sangue sempre está precisando de doação. Ao longo dos anos, o número de pessoas que doam constantemente cresceu, mas é importante que a população saiba que a necessidade de transfusão também aumentou. A Semana deverá ocorrer no mês de novembro, em alusão ao Dia Nacional do doador de sangue; quanto ao espaço físico, salienta-se que a Escola, além de ser um espaço propulsor do conhecimento, é um espaço direcionado à formação do senso crítico e, ainda, da ênfase nos valores sociais e direitos fundamentais da terceira geração", justificou.

Sobre o outro Projeto, o parlamentar ressaltou que a medida não prevê a exclusão de pontos que sejam fruto de infrações gravíssimas, mas uma forma de incentivar as pessoas a doarem sangue.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Prefeito Edivaldo e governador Flávio Dino anunciam construção de 14 vias interbairros

O prefeito Edivaldo e o governador Flávio Dino assinaram nesta segunda-feira (6), no Palácio dos Leões, a ordem de serviço para construção de 14 novas vias interbairros, que vão melhorar de forma significativa a mobilidade urbana na capital maranhense. Com investimentos da ordem de R$ 32 milhões, resultado de parceria celebrada entre a Prefeitura de São Luís e o governo do Estado, o "Projeto Interbairros" vai criar vias alternativas e paralelas para desafogar os grandes corredores de fluxo intenso da cidade. A previsão é que as intervenções sejam concluídas em um prazo de seis meses.
O prefeito Edivaldo destacou a importância da obra para a melhoria da mobilidade urbana na capital e para a qualidade de vida da população ludovicense. "São 14 grandes intervenções no trânsito, que vêm ao encontro dos anseios da população, que sempre demandou melhorias nessa área. Trata-se de mais uma importante parceria celebrada entre o governo do Estado e a Prefeitura, nesse novo momento no qual o Estado e Município trabalham juntos em favor da cidade e da população", ressaltou Edivaldo.
As 14 novas vias vão fazer a conexão entre os bairros e terão um traçado geométrico de forma que os veículos não necessitem trafegar pelas vias principais para chegar ao seu destino. Ao todo serão 21,4 quilômetros de novas vias que representam melhoria do aspecto urbanístico, proporcionam bem-estar e mais qualidade de vida ao cidadão e nova configuração ao trânsito de São Luís.
O governador Flávio Dino relatou que as intervenções foram planejadas para proporcionar melhorias efetivas e concretas à mobilidade urbana da capital. "É isso que buscamos: realizar intervenções que transformem de fato a vida das pessoas, que beneficiem o cotidiano da população, que deem sinergia à cidade e contribuam, inclusive, com o desenvolvimento da economia local. São Luís tem recebido um olhar todo especial da nossa gestão e isso é só o começo", disse o governador Flávio Dino.
As vias interbairros foram planejadas pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) e serão executadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Os serviços serão realizados pela empresa Edeconsil Engenharia. O titular da Semosp, Antônio Araújo, fez a apresentação detalhada do projeto durante o lançamento da ação. O secretário explicou as interconexões e informou que todas as vias vão receber asfalto de qualidade, drenagem superficial com sarjetas, meios-fios e calçadas, além de sinalização horizontal e vertical, que modificarão todo o aspecto urbanístico, proporcionando ainda mais fluidez ao tráfego de veículos.
Entre as interconexões que vão ser implementadas estão a ligação entre os bairros do Vinhais Velho e Recanto dos Vinhais à Avenida Daniel de La Touche; Estrada da Maioba à Avenida dos Holandeses; Via Expressa com a Rua A, no Maranhão Novo; Rua 21 com a 38, interligando a Cidade Operária ao Jardim São Cristóvão; Rua Boa Esperança à Rua do Aririzal; Rua Duque de Caxias e Derci Batista interligando o Pão de Açúcar ao Bequimão.
Serão interligadas ainda a Avenida 2 com a Rua Haroldo Paiva, a Avenida Sabiá à Vila Maranhão, a Rua São Bento à Vila Conceição, a Rua do Arame ao São Cristóvão, a Rua Projetada ao João Paulo, Rua da Boa Esperança ao Angelim e Turu. "Todas as vias planejadas criam rotas alternativas e proporcionam novas opções de tráfego para motoristas e pedestres, ou seja, haverá mais opções para escolher o percurso que se vai utilizar para deixar o filho na escola ou ir para ao trabalho, por exemplo", disse Antônio Araújo.
O titular da Sinfra, Clayton Noleto, frisou que, embora sejam intervenções pontuais, elas representam um grande esforço de engenharia que vão apresentar resultados reais de melhoria no trânsito da capital, em pouco tempo. "Vamos trabalhar dia e noite, ininterruptamente, para entregar esse conjunto de obras o mais rápido possível à população", frisou Noleto.
Participaram ainda do lançamento do "Projeto Interbairros" o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Humberto Coutinho; o deputado federal Weverton Rocha, que no ato representou a Câmara Federal; além de secretários municipais e estaduais, parlamentares estaduais federais, entre outras autoridades políticas.
MAIS ASFALTO
Ainda como resultado de parceria celebrada com o governo do Estado, a Prefeitura de São Luís também está realizando obras de requalificação de aproximadamente 120 km de avenidas e ruas de bairros, por meio do programa estadual "Mais Asfalto". Só na região Itaqui-Bacanga, vão ser recuperados mais de 36 quilômetros de vias urbanas. Os serviços já começaram no Anjo da Guarda e Vila Embratel, e abrangerão ainda os bairros do São Raimundo, Vila Bacanga, Vila Isabel, Vila Ariri, Vila São Luís, Vilas Mauro Fecury I e II e Alto da Esperança.
Os demais bairros da capital maranhense contemplados com a requalificação de pavimentação asfáltica são a Cidade Operária - onde os serviços também já iniciaram nos 42,1 quilômetros previstos -, a Cohab, com 10,9 quilômetros; João de Deus e São Bernardo, com 7,4 quilômetros; Vila Luizão, com 9 quilômetros; Coroadinho e Vila Nova República, com 6,7 quilômetros cada um. A extensão total abrange aproximadamente 300 vias, a maioria componente do corredor de ônibus, com camada asfáltica comprometida devido à presença de buracos ou fissuras.

domingo, 5 de julho de 2015

Todo jardim começa com uma história de amor


Por Rubem Alves
Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.

Uma análise crítica do conceito de política na visão de Aristóteles


Por Rodrigo Pereira Costa Saraiva

Antes de analisar o conceito de política para o filósofo Aristóteles, se faz necessário traçar algumas diretrizes a despeito da política, a primeira delas: é que a política não se resume a sua vertente partidária, em outros termos, a política não se resume tão somente a política eleitoral, aos partidos políticos, a segunda: buscar-se-á neste trabalho relatar a essência da política, ou seja, abordar o verdadeiro espírito e a finalidade da política no contexto social brasileiro.
Para se falar em política na visão aristotélica, é interessante se narrar de forma breve a história do surgimento da política no mundo, este se deu simultaneamente com a origem e formação da família. A família surgiu de uma necessidade de relacionamento entre os homens nas épocas mais remotas de nossa civilização, mais adiante se vislumbrou a relação homem e mulher, a relação do homem com a sua propriedade, a relação do homem com o seu escravo. A relação de escravidão é bastante peculiar, posto que esta relação remete a ideia de subordinação absoluta, nesse sentido a relação é entre uma pessoa (dono) e uma coisa (escravo), de outra maneira o escravo não detinha nenhum direito, era um mero objeto. Ainda cabe salientar que existem outras concepções do termo escravidão, como aquela em que o próprio indivíduo se escraviza, ou seja, existem pessoas que são escravos de sua ignorância, falta de conhecimento, falta de virtudes e, talvez seja esta a pior modalidade de escravidão.
 Nesse diapasão, Aristóteles ressalta:
“É dessas duas associações, entre o homem e a mulher, e o senhor e o escravo, que se forma inicialmente a família [oikía]; e foi com razão que Hesíodo disse que a primeira família foi composta “pela mulher e o boi feito para o labor”, pois o boi exerce o papel do escravo entre os pobres. A família é, pois, a associação estabelecida pela natureza para atender às necessidades do dia-a-dia do homem, constituída pelos, como disse Carondas, vivem da mesma provisão, ou, como disse Epimênides de Creta, partilham o sustento".
É interessante a concepção de família e das relações sociais de Aristóteles, doravante cabe uma crítica, tal entendimento do filósofo é excelente para a época em que foi construída, atualmente se concebe como ilegal à relação de escravidão. Desse comentário do autor pode-se extrair em suma que as necessidades fizeram com que o homem se relacionasse, que a partir dessa relação associativa futuramente nasce à política. Note bem que apesar dos milhares de anos entre o que escreveu o ilustre filósofo e a realidade atual, ainda se vê hoje a relação de escravidão, alguns empregadores transformam seus empregados em verdadeiros escravos, a título de exemplo o que ocorre na região sudeste com as confecções têxteis, caso dos bolivianos e demais estrangeiros escravizados nessas fábricas.
Nessa linha de raciocínio, Aristóteles aduz:
“A sociedade que se forma em seguida, formada por várias famílias, constituídas não só para apenas atender às necessidades cotidianas, mas tendo em vista uma utilidade comum, é a aldeia (komé). Ela assemelha-se a uma colônia de famílias. Cujos membros foram alimentadas pelo mesmo leite. É por isso que as cidades foram originariamente governadas por reis, como ainda hoje o são algumas nações, posto que eram constituídas pela reunião de pessoas que já viviam sob o governo de um rei: toda casa, com efeito, sendo governada pelo componente mais velho da família, tal como por um rei, continuava a viver governada pela mesma autoridade, em razão do parentesco”.
Eis o ponto crucial do surgimento da política, foram as diversas relações experimentadas pelo homem, seja com a sua mulher, seja com o seu escravo, seja com outras famílias dentro de sua comunidade ou aldeia, todo esse conjunto de relações fez com que surgisse necessariamente a política, em seu termo original, a política é a arte de convencer(poder de convencer outrem), da palavra, da argumentação num debate de ideias, a política enquanto um poder, poder esse que exerce um chefe de família no seio familiar, poder esse que exerce um rei no que toca aos seus súditos. O termo “Poder” tem uma gama variada de significados, aqui irá se tomar poder como ferramenta para a arte de convencimento, seja pela força, seja pela articulação, seja pela arte de melhor administrar, seja provocando medo ou temor nas pessoas.
Nessa linha de raciocínio, Aristóteles ressalta:
“Fica evidente, pois, que a Cidade é uma criação da natureza, e que o homem, por natureza, é um animal político [isto é, destinado a viver em sociedade], e que o homem que, por sua natureza e não por mero acidente, não tivesse sua existência na cidade, seria um ser vil, superior ou inferior ao homem. Tal indivíduo, segundo Homero, é “um ser sem lar, sem família, sem leis”, pois tem sede de guerra e, como não é freado por nada, assemelha-se a uma ave de rapina”.
Nessa perspectiva cabe acrescentar que o surgimento da política se deu em meio ao surgimento das relações entre as pessoas, surgimento da sociedade, da própria Cidade (Pólis), na visão deste autor a política surgiu naturalmente das necessidades a serem supridas no dia-a-dia. Cristalino é que o homem por ser um animal necessariamente político vive em uma sociedade, mas cabe aqui uma reflexão: Por que o homem vive em sociedade? Por que o homem é um ser político? Par responder tais questões é necessário retomar a ideia de política enquanto o poder de convencer outrem, ou seja, o homem nas épocas mais remotas percebeu que era mais prático, mais fácil e menos arriscado viver em grupo do que viver isolado, como um nômade. Posto isto, é evidente que o líder de um bando, grupo de homens se utilizou da política para convencer a todos a viverem em conjunto, o que mais tarde fez surgir às sociedades e as cidades, cabe salientar que a posição do filósofo em análise é diversa, ele acredita que a Cidade é anterior a tudo. A arte do convencimento, o poder da palavra, a capacidade de dialogar com intuito de convencer, de ter a sua concepção como a preponderante é o conceito resumido da política.
O ilustre filósofo salienta:
“Assim, por natureza a Cidade é anterior à família e ao indivíduo, uma vez que o todo é necessariamente anterior á parte. Se o corpo é destruído, não existirá nem o pé nem a mão, exceto por simples analogia, quando se diz, por exemplo, de uma mão de pedra. Todas as coisas são definidas pelas suas funções; e sim que tão-somente têm o mesmo nome (homônima). Dessa forma, é evidente que a Cidade existe por natureza e que é anterior ao indivíduo; pois o indivíduo não tem a capacidade de bastar-se a si mesmo; e; relativamente à cidade, está na mesma situação que a parte relativamente ao todo. Ora, homem que não consegue viver em sociedade, ou que não necessita viver nela porque basta em si mesmo, não faz parte da Cidade; por conseguinte, deve ser uma besta ou um deus. Assim, há em todos os homens uma tendência naturala uma tal associação; aquele que a fundou no princípio foi o maior dos benfeitores. Pois o homem, quando atinge esse grau de perfeição, é o melhor dos animais, mas, quando está separado da lei e da justiça, ele é o pior dentre todos”. (grifo nosso)

O filósofo parte de uma premissa que a cidade é anterior ao indivíduo e a própria família, ou seja, o estudo dele tem como ponto de partida a ideia clara de que a cidade é o alpha e que tudo decorre dela. Nessa linha de pensamento, cabe a reflexão que se a cidade é o todo e o indivíduo é uma parte deste todo, o que precede este todo? Como era a civilização no mundo antes da formação da cidade? O homem que não vive em sociedade é necessariamente um deus ou uma besta? Para responder eminentes questionamentos tem-se que destacar a posição de Aristóteles, este expressava nas suas ideias a teoria naturalista, de outra forma, de que a Pólis surgiu naturalmente, em outras palavras ela foi a origem de tudo. Critica-se tal posição posto que não a como se conceber que a Cidade surgiu antes do indivíduo, antes da sociedade, antes da própria política, senão veja que para a formação de uma sociedade organizada, a formação de uma Pólis, é extremamente necessário, primeiro a existência de indivíduos, sem a qual não existe sociedade e nem a cidade e, que os indivíduos se utilizem de uma das vertentes da política, ou seja, que certos indivíduos lancem mão do poder de convencimento, da persuasão, do diálogo, do poder de influência ideológica para que seja daí formada um grupo, formada uma comunidade, formada uma tribo, formada uma cidade,etc. Nessa senda, fica evidente que a política é a precursora, em outros dizeres, sempre existiu a política, visto isso é plenamente possível que um homem viva fora da sociedade, seja um eremita, não há óbice para que o homem viva tranquilamente fora do seio de uma sociedade e nem por isso deve ser considerado um deus ou uma besta. Importante é relatar como era o mundo nos tempos mais remotos, antes da formação da Cidade, será que era um caos, uma desordem plena, ou um meio-termo entre a ordem e o caos? Não se sabe com certeza tais respostas, doravante é imperioso salientar que naquela época seja qual dessas situações prosperou dali, já se percebeu a utilização da política mesmo que de um modo primitivo, seja na hora de caçar, seja na hora de coletar alimentos, seja na hora de se proteger ou de se agrupar, ou de se proteger do frio ou de animais ferozes, o homem primitivo usou da arte e do poder do convencimento e, não existe forma melhor de convencer outrem do que a real necessidade, e até nesses casos de tribos bem antigas se usava a política da violência, determina e manda o mais forte. O homem enquanto ser político, dotado de razão, diferentemente dos demais animais, sempre vai ter uma nova necessidade e, necessidade de se proteger, necessidade de aprender e buscar novos conhecimentos, etc, dessa necessidade surge à política.
Os conceitos de política, da relação entre homem e mulher, escravidão de Aristóteles são muitos importantes até hoje, doravante deve-se ter cuidado posto que tais conceitos não são aplicáveis atualmente como o foram na época. Em suma, o atual conceito de política vai muito além daquele tido como correto pelo senso comum no Brasil, alguns populares falam com fervor: “Eu não me envolvo em política”, mas calma ao se expor essa frase o indivíduo está fazendo política, ou seja, ele não está somente se envolvendo como produzindo, como expondo aos demais sua posição com o intuito de convencer ou meramente informar alguém sobre a sua pretensão de não se meter em política, ou seja, para este indivíduo a ignorância prospera, reduzir a política ao período prévio e posterior as eleições e ao direito eleitoral é um tremendo absurdo. Nessa banda, até mesmo esse que vos escreve está fazendo política, querendo que a sua tese, a sua posição seja a preponderante, sirva de base e influência para outras teses. Isto posto, não a razão para reducionismo no que tange ao conceito de política, mesmo que a cultura do reducionismo seja disseminada pelo Brasil.
Ainda no que tange a este assunto vale a pena relembrar a cultura do reducionismo, esta é aplicada em larga escala no Brasil, posto que é bem mais interessante aos detentores do poder econômico e do poder político deixar o cidadão no escuro, na ignorância do que lhe proporcionar à luz, lhe proporcionar o conhecimento, a título de exemplo: ao se retomar ao questionamento anteriormente feito a um cidadão, o que você entende por política? Este vai de pronto responder: são as eleições, os políticos corruptos do congresso nacional, não me envolvo em política, voto por que sou obrigado, etc. A questão crucial é o porquê disto? Por que reduzir o conceito de política a isto? Há possibilidade de mudança nesse cenário? A expectativa é que a mudança comece agora, inclusive com as revoltas e protestos sociais, e uma transformação do pensamento e da reflexão das pessoas, essa devendo ser paulatina e não abrupta que não surta o efeito esperado tanto no indivíduo, na sua família e na sociedade.
Em outra perspectiva, não se deseja aqui fechar, petrificar um conceito de política, dar um conceito único sobre o que é a política para todos os seus campos de estudos, aliás não se acredita num conceito único, isto depende de cada seara aonde é estudada a política, em exemplo: a política financeira, a política jurídica, a política eleitoral e partidária, a política econômica, a política de mercado, dentre outras. Neste diapasão, se fixa uma premissa de que o conceito de política é dinâmico, acompanha o desenrolar dos fatos sociais, acompanha a evolução da sociedade, doravante isto, pode-se de forma genérica analisar a política como sendo a arte do convencimento, da persuasão, arte da argumentação com intuito de convencer alguém ou todos que a sua ideia é a correta para certo caso, conclui-se que a política deve ser vista pelos cidadãos brasileiros na perspectiva narrada neste texto, ou seja, que o cidadão abra sua mente, comece a olhar as coisas ao seu redor de uma outra forma, retire aos poucos das suas entranhas essa cultura reducionista absurda não somente no que toca ao conceito de política.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ARISTÓTELES. POLÍTICA. COLEÇÃO OBRA-PRIMA DE CADA AUTOR. ED. MARTIN CLARET LTDA. 6 º EDIÇÃO. 2013. TRADUÇÃO DE POLITIKÓN, PEDRO CONSTANTIN TOLENS.

Sobre o autor:
Rodrigo Pereira Costa Saraiva, OAB/MA nº 10.603
Advogado e consultor jurídico em São Luís- Ma, Professor do Curso Preparatório para o Exame da ordem do Imadec, diretor do Escritório Rodrigo Saraiva Advocacia e Consultoria Jurídica, Coordenador do grupo de estudos em Direito Constitucional da Oab/Ma desde 2013. Doutorando em Direito pela UNLZ (Universidade Nacional de Lomas de Zamora), membro da comissão dos jovens advogados da OAB/MA


sexta-feira, 29 de maio de 2015

Música :Dejame Quererte Para Siempre (Jaci Velasquez)








Dejame Quererte Para Siempre
En el mar de tus ojos
Siento que puedo anclar
Y al llegar a tu fondo
Nunca mas naufragar
Amarte no es difícil
No se puede evitar
Déjame quererte para siempre

Darte todo lo que tú mereces
Por la puerta de tu amor
Quiero pasar

Quiero ser completamente tuya
Quiero de un millón en ti ser una
Como si hoy mi vida
Fuera a terminar

En la paz de tus brazos
Déjame descansar
Y volar tras tus pasos
Y jamás regresar
Nadie te necesita
Mas que mi corazón

Déjame quererte para siempre
Darte todo lo que tú mereces
Por la puerta de tu amor
Quiero pasar

Quiero ser completamente tuya
Quiero de un millón en ti ser una
Como si hoy mi vida
Fuera a terminar

Ygual que rio buscara sempre el mar
Hoy sueño poder me encontrar
Contigo en la eternidad

Déjame quererte para siempre
Darte todo lo que tú mereces
Por la puerta de tu amor
Quiero pasar

Quiero ser completamente tuya
Quiero de un millón en ti ser una
Como si hoy mi vida
Fuera a terminar

Para siempre


Deixe-me Te Querer Para Sempre
No mar de teus olhos
Sinto que posso ancorar
E ao chegar a teu fundo
Nunca mais naufragar
Te amar não é dificil
Não se pode evitar
Deixe-me te querer para sempre

Te dar tudo o que você merece
Pela porta do teu amor
Quero passar

Quero ser completamente tua
Quero de um milhão em ti ser uma
Como se hoje minha vida
Fosse terminar

Na paz de teus braços
Deixe-me descançar
E voar seguindo seus passos
E jamais regressar
Nada precisa de ti
Mais que o meu coração

Deixe-me te querer para sempre
Te dar tudo o que você merece
Pela porta do teu amor
Quero passar

Quero ser completamente tua
Quero de um milhão em ti ser uma
Como se hoje minha vida
Fosse terminar

Como o rio que procura sempre o mar
Eu sonho em poder me encontrar
Contigo na eternidade

Deixe-me te querer para sempre
Te dar tudo o que você merece
Pela porta do teu amor
Quero passar

Quero ser completamente tua
Quero de um milhão em ti ser uma
Como se hoje minha vida
Fosse terminar

Para sempre



sexta-feira, 8 de maio de 2015

'Contra Deus'? A difícil escolha dos pais que fazem testes genéticos

"Quando o médico nos disse que a doença não tinha tratamento nem cura e que meu filho poderia falecer aos dois anos foi um choque. A gente foi tentando viver um dia após o outro para não pensar na morte dele."
Oito meses após o nascimento de seu primeiro filho, a fisioterapeuta Tatiana Vasconcelos, de Presidente Prudente (SP), descobriu que ele era portador da gangliosidose GM1 tipo 1, uma doença genética que afeta uma a cada 100 mil pessoas. Cumprindo o prognóstico dos médicos, Leonardo faleceu pouco depois de completar dois anos.
Após o diagnóstico, o casal descobriu que a doença estava nos genes de ambos, apesar de nunca ter se manifestado em suas famílias. Por causa da gravidade da condição, os médicos também vetaram uma nova gravidez.
"Pensamos em ter outro filho para fazer um transplante de medula óssea, mas o nosso médico geneticista disse que (isso) não ajudaria o Leo. Ele também disse que não deveríamos engravidar novamente por vias naturais por causa do risco de termos outros filhos doentes. Aí caiu outro balde de água gelada, porque sempre sonhamos em ter mais filhos", disse Tatiana à BBC Brasil.
Desde então, o casal considerou submeter-se a um processo de fertilização in vitro com diagnóstico pré-implantacional – procedimento em que o examina-se o DNA dos embriões, em seus primeiros estágios de formação, para selecionar somente os que não teriam a possibilidade de desenvolver a doença.
Apesar do alto custo – o procedimento completo pode chegar a R$ 30 mil – a procura por testes deste tipo no Brasil cresceu até 40% nos últimos três anos, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
A opção pelo diagnóstico pré-implantacional, no entanto, não é tão simples: os pais costumam enfrentar dilemas morais e a resistência de colegas e familiares à decisão de descartar determinados embriões e manter outros.
'Contra Deus'
Para Tatiana e seu marido, as decisões difíceis começaram ainda no período em que Leonardo estava vivo.
Aos três meses, o garoto começou a apresentar sinais da doença e, com pouco mais de um ano, tinha crises convulsivas e parava de respirar durante 30 a 40 segundos. Os pais se revezavam à noite para permanecer ao lado do filho e aplacar as crises.
"Quando o levamos para a UTI, o médico me disse que não havia muito o que fazer e perguntou se eu queria que ele fosse entubado, caso fosse necessário. Eu trabalho em UTI, então para mim foi muito difícil decidir. Como eu não iria querer que ele salvasse meu filho? Ao mesmo tempo, só iríamos prorrogar o sofrimento dele. Meu marido e eu não queríamos mais vê-lo sofrer e optamos por não entubá-lo, apenas mantê-lo sedado até a hora em que ele tivesse de ir."
Leonardo chegou a se recuperar e voltou para casa, onde seus pais montaram uma espécie de UTI doméstica. Com dificuldades renais crescentes, ele viveu mais um ano, passando por internações frequentes no hospital.
"Em novembro de 2013, ele estava em situação muito grave. Ele só ficou dois dias internado na UTI dessa vez, nós o vimos ir embora aos poucos. Nosso amor segurou muito ele aqui", relembra Tatiana, emocionada.
Meses após a morte da criança, o casal decidiu ter outro filho via fertilização com o diagnóstico pré-implantacional. A fisioterapeuta conta que, apesar do apoio dos amigos, sofreu preconceito dentro da própria comunidade médica.
"A maioria dos familiares e amigos me apoiou, mas alguns médicos com quem eu trabalho acharam um absurdo. Eles diziam que era antiético, contra a moral e contra Deus. Mas eu não estava escolhendo cor de cabelo, cor dos olhos, se é menino ou menina. Estava tentando excluir uma doença que matou meu filho", afirma.
Não é para todos
O geneticista Salmo Raskin, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica e criador do laboratório Genetika, no Paraná, diz que a mobilização da sociedade civil em torno de doenças raras influenciou o aumento da procura pelo diagnóstico pré-implantacional.
"O crescimento de movimentos da sociedade civil no Brasil fez com que surgissem ONGs de pacientes de familiares de pessoas com doenças genéticas. Essas pessoas vão transmitindo informações sobre os testes para outras", afirma.
"O índice de natalidade no Brasil também caiu drasticamente, então se existe já alguém na família com uma doença hereditária, as pessoas querem evitar passá-la para seus filhos, já que terão menos filhos do que antigamente."
O grande avanço da pesquisa científica sobre o genoma humano nos últimos dez anos também barateou o custo do escaneamento de genes - e ajudou a popularizar os testes genéticos. Desde 2014, os planos de saúde brasileiros já cobrem 29 testes para doenças genéticas específicas, desde que requisitados por geneticistas.
Testes com variados níveis de complexidade podem ir de R$ 70 a R$ 10 mil. Em alguns casos, as pessoas podem encomendar uma análise do seu DNA que busca traços de até 800 das doenças genéticas mais comuns na população mundial – entre cerca de 15 mil conhecidas.
Raskin diz, no entanto, que nem todos os testes genéticos têm verdadeira utilidade para os pacientes, já que o conhecimento atual da genética humana ainda tem muitas lacunas.
Para o geneticista, testes que buscam determinadas doenças genéticas que já estão presentes na família, ou que buscam traços de uma doença nos pais a partir do diagnóstico do filho, como no caso de Tatiana Vasconcelos, são os que oferecem mais retorno aos pacientes.
"A indicação é não fazer o teste apenas por curiosidade e sem o acompanhamento de um geneticista. É um procedimento caro e que não será muito útil para quem não sabe o que procura. E ainda pode ser maléfico, por causar pânico", afirma.

Opção
Para a fisioterapeuta baiana Nadja Quadros, de 41 anos, a descoberta, durante a segunda gestação, de que a filha teria síndrome de Down provocou "luto" – mesmo que ela lidasse diariamente com crianças na mesma condição.
"Entrei em crise porque percebi que eu não era a profissional que aparentava ser. Eu dizia aos pais que as crianças com Down poderiam ter uma vida plena como as outras crianças, mas, quando me vi diante daquela realidade, eu imaginei que seria um fardo na minha vida", disse à BBC Brasil.
No entanto, ela reconhece que o nascimento de Ana Beatriz, há cinco anos, mudou para melhor a vida do casal. Em pouco tempo, Nadja e o marido, também médico, haviam criado um programa de pós-graduação sobre o tema, um centro de referência no atendimento de portadores da síndrome de Down no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, onde moram, e uma ONG que luta pela inclusão dos portadores da síndrome de Down na sociedade.


"A vinda de Ana Beatriz teve um propósito muito grande em nossas vidas, mas ainda não estou completamente bem resolvida. Ela tem uma vida plena hoje, mas o futuro é uma preocupação minha. Ainda existem muitas barreiras sociais para pessoas como ela e eu milito porque quero mudar essa realidade."
Mesmo engajado, o casal também optou pela fertilização com diagnóstico genético dos embriões ao decidir ter o terceiro filho, para evitar uma nova ocorrência do distúrbio, cujas chances aumentam com o avanço da idade da mulher.
"Minhas chances (de ter outra criança com síndrome de Down), nem eram tão grandes, mas eu tinha muito medo. Minha vida é tranquila com Beatriz, mas eu não queria correr o risco de ter outra criança na mesma condição."
"O impacto emocional e financeiro de um distúrbio genético na família é grande. Há crianças que nascem muito comprometidas, precisam de tratamento e estímulo para desenvolvimento. Nós pudemos fazer tratamentos, mas há muitos pais que estão aqui em uma fila enorme esperando uma cirurgia cardíaca, por exemplo", afirma Nadja.
Nadja submeteu-se a um procedimento semelhante ao de Tatiana, mas que analisa somente os cromossomos dos embriões – já que a síndrome de Down é causada por uma alteração cromossômica aleatória. Em fevereiro, o casal recebeu a confirmação da gravidez de Rafael, cujo nome foi escolhido pela irmã.
Para o geneticista Ciro Martinhago, que cuidou tanto de Tatiana quanto de Nadja, o desconhecimento sobre a técnica ainda estimula certo tabu na sociedade.
"As decisões se tornam mais difíceis porque nem todas as doenças genéticas são letais. É possível, apesar de muito difícil, conviver com elas. A maioria dos pais com Down ama seus filhos e diz que não deixaria de tê-los. Mas hoje você tem a opção de prevenir a ocorrência de uma doença, antes não tinha", disse à BBC Brasil.
"Já me perguntaram se eu me sinto Deus escolhendo embriões. Eu respondi que não, pelo contrário. Me sinto um instrumento de Deus. Se Deus não me permitisse, eu não estaria fazendo o que eu faço."
Organizações religiosas em todo o mundo se dividem em relação ao procedimento. A Igreja Católica posicionou-se repetidas vezes contra a manipulação e a seleção de embriões humanos.
'Eugenia positiva'
Martinhago diz que 70% dos testes que faz atualmente em embriões são para detectar alterações cromossômicas, como as que causam a síndrome de Down. O procedimento custa entre R$ 1.200 e R$ 1.900 por embrião.
Em outros casos, casais que têm conhecimento prévio de doenças na família podem fazer um teste conhecido como matching, para saber quais são as chances de que os filhos venham a ter as mesmas doenças. Neste caso, o preço chega a R$ 6 mil.
A escolha de embriões pelo sexo ou por outras características físicas – ideia que preocupa muitos brasileiros, segundo Martinhago – não é permitida no Brasil. "Selecionar embriões por características físicas é uma eugenia negativa. Nós fazemos uma eugenia positiva, que é separar os embriões perante as doenças graves que podem acometer a criança", afirma o geneticista.
Assim como Nadja Quadros, Tatiana Vasconcelos não considerava o aborto uma opção. No entanto, ela defende que pais possam se prevenir das doenças, que causam desgaste físico e emocional.
"Os testes genéticos evitam o sofrimento de uma criança e de uma família inteira. Se eu soubesse que havia a chance de uma doença entre eu e meu marido, teria feito todo o escaneamento. Depois que já tínhamos nosso filho, pensamos apenas em enfrentar o que Deus mandou, mas se a gente pode evitar, eu acho que é válido", afirma.
Em janeiro, Tatiana fez uma segunda tentativa de fertilização, após selecionar geneticamente os embriões livres da doença que matou Leonardo. Agora, está à espera de gêmeos. "Sei que, onde estiver, Leo está torcendo por nós", diz.