segunda-feira, 27 de julho de 2015

Autismo:o lado bom

Ludwig Wittgenstein, gênio da filosofia, começou a falar só aos 4 anos. Estudou com tutores particulares em sua casa, em Viena, até os 14 anos. Sem conseguir passar no vestibulinho do colegial, foi parar em 1903 na escola técnica de Linz (a mesma de Adolf Hitler, de quem não foi colega, pois o futuro ditador estava dois anos atrasado nos estudos). Mas ele simplesmente não se interessava pelos colegas. A solidão e a dislexia fizeram dele um perfeito alvo de bullying. "Nunca consegui expressar metade do que queria. Na verdade, não mais que um décimo", contou em suas memórias. 

Assim foi o jovem Wittgenstein. Mas sua excentricidade e o fato de ter revolucionado a filosofia no século 20 não são uma contradição, segundo o professor Michael Fitzgerald, do Trinity College, em Dublin. O psiquiatra vê em sua biografia sintomas que caracterizam a síndrome de Asperger - um tipo de autismo que, aliado a um intelecto avantajado, pode ser a base da genialidade.

Todo autista se foca obsessivamente em interesses muito específicos, tem comportamentos repetitivos e não se interessa em interagir com outras pessoas. Mas, enquanto a imagem mais comum é a da criança ensimesmada balançando para a frente e para trás, o espectro do autismo vai desde o atraso mental até o desenvolvimento linguístico e cognitivo completo - caso da síndrome de Asperger. Quem tem essa síndrome não se interessa em dividir experiências e emoções, tem padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento e de interesses e não abre mão de sua rotina. Isso torna o convívio difícil - mas pode ter um efeito colateral inesperado. 

"Muitas características da síndrome de Asperger aumentam a criatividade", escreve Fitzgerald em Autism and Creativity (Autismo e Criatividade). "Pessoas assim têm uma capacidade extraordinária para focar-se em um tópico por um longo período - dias, sem interrupção nem mesmo para as refeições. Não desistem diante de obstáculos." E não é apenas a concentração. A forma como entendem o mundo é diferente. Quando veem uma coisa, apreendem o detalhe para então sistematizar como funciona o geral - enquanto a maioria das pessoas apreende o geral para depois se afunilar em detalhes. Isso é um enorme ponto positivo para engenheiros, físicos, matemáticos, músicos.

Não que não haja um lado negativo. Portadores da síndrome de Asperger também têm dificuldade em aceitar e adotar regras sociais. Por isso, muitas vezes parecem ter personalidade infantil. Quando entrou para a faculdade de engenharia, Wittgenstein se fascinou pela obra Os Princípios da Matemática, de Bertrand Russell. Em 1911, mudou-se para a Universidade de Cambridge para estudar com Russell. Nos primeiros dias, chegava à sala do mestre à noite e seguia até a manhãzinha desdobrando suas ideias como que em um monólogo. Em 1926, quando terminou a defesa oral de sua tese de doutorado, deu um tapinha nos ombros dos examinadores. "Não se preocupem. Eu sei que vocês nunca conseguirão entender", disse. Wittgenstein começou então a dar aulas. Em seus seminários, era como se não houvesse uma audiência. Lutava com seus pensamentos e volta e meia caía em silêncios que nenhum estudante ousava interromper. Qualquer comentário que considerasse estúpido era retrucado brutalmente.

Para escrever Investigações Filosóficas, sua maior obra, ficou isolado numa cabana na Irlanda. Certa vez, o caseiro, que o havia visto conversando, perguntou-lhe se tivera uma boa companhia. A resposta foi: "Sim, falei muito com um ótimo amigo - eu mesmo". Numa carta a Bertrand Russell, escreveu: "Estar sozinho me faz um bem infinito, e não acho que agora poderia suportar a vida entre pessoas". O único grande prazer social do filósofo era discutir seus interesses - lógica, linguística e música. O mundo real pouco lhe importava.

O gene da engenharia
Todo engenheiro é um pouco autista. Essa é a conclusão, polêmica, do psiquiatra Simon Baron-Cohen, de Cambridge. Simon buscava identificar se estudantes com sintomas da síndrome de Asperger tinham predisposição a escolher alguma área específica de conhecimento. Fez um levantamento com graduandos de Cambridge e viu que alunos de exatas eram os mais propensos a ter os sintomas. O estudo fez barulho suficiente para que os pais de alunos de Eindhoven, na Holanda, entrassem em contato com ele depois de identificarem uma epidemia de autismo na cidade, conhecida pela concentração de empresas tecnológicas. Baron-Cohen comparou Eindhoven com Haarlem e Utrecht - que têm número semelhante de habitantes - e levantou a porcentagem de pessoas empregadas em tecnologia: 30, 16 e 17%, respectivamente. Depois, pesquisou a prevalência de autismo diagnosticado nas cidades: 229 por 10 mil crianças em Eindhoven, contra 84 e 57 nas outras. Para Baron-Cohen, isso é indício de que regiões onde pais têm empregos relacionados à "sistematização", como o da tecnologia da informação, terão uma taxa de autismo maior em suas crianças. É um resultado polêmico: indica que as pessoas naturalmente mais aptas para as ciências exatas carregam mais genes ligados ao autismo do que a média da população. E mais: é uma evidência de que essa aptidão seja, por si só, uma forma leve de autismo.

Einstein, o autista
O psiquiatra Michael Fitzgerald identificou traços da síndrome de Asperguer, uma forma moderada de autismo, em 42 personalidades históricas. Conheça algumas delas.

ALBERT EINSTEIN
"Meu senso de justiça e de responsabilidade social sempre se contrastou com minha falta de necessidade de contato direto com outras pessoas ou comunidades. Sou de fato um viajante solitário e nunca pertenci a meu país, à minha casa, aos meus amigos ou mesmo à minha família", escreveu o físico nos ensaios Como Vejo o Mundo.

GLENN GOULD
Um dos maiores pianistas do século 20 não deixava ninguém tocá-lo e, quando mais velho, só se comunicava com o resto do mundo por telefone ou por cartas. Aos 32 anos parou de tocar em público e se fechou no estúdio. Afinal, para ele tocar música era um ato tão íntimo que não dava para conciliá-lo com a audiência.

LEWIS CARROLL
O escritor americano Mark Twain chegou a dizer que Carroll, matemático autor de Alice no País das Maravilhas, era interessante "somente para olhar." Era o homem "mais estiloso e mais tímido" que já tinha visto. Não dava autógrafos nem deixava ser retratado - mesmo sendo ele mesmo um fotógrafo amador. "Minha aparência e minha escrita pertencem somente a mim", escreveu em uma carta.



quarta-feira, 15 de julho de 2015

Homem de Verdade









Homem de Verdade
Marcela Taís

Ele te tira pra dançar descabelada
sem motivo em qualquer lugar
Sabe, homens desse tipo são poucos
mas ainda se pode encontrar
Ele te arranca sorrisos, valoriza
te gosta do jeitinho que é
Do tipo raro que não ama só corpo
mas ama a alma da mulher
Ele é o homem de verdade
Que trata a filha do outro bem

Sabe que um dia também será pai
E quer que tratem sua filha assim também
Pois nem todos são iguais
Há homens puros e originais
Talvez não estampa em revistas
Mas, totalmente sensacionais
Que alma a alma da mulher

Homem de verdade, que sabe amar uma mulher
Ele é o homem de verdade
que sabe amar uma mulher
Homem de respeito, de atitude, de outro nível
Do tipo que ela quer de pai pros seus filhos
Não é status, nem bom papo
Homem de verdade é forjado de bom caráter
Não é perfeito, mas dá seu jeito
Por sua família luta
É do tipo que cuida e faz sua mulher segura

Ele é o homem de verdade
que sabe amar sua mulher
Ele é o homem de verdade
que sabe amar sua mulher


Poema Hebreu



1 Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

2 Qual o lírio entre os espinhos, tal é meu amor entre as filhas.
3 Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos;desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento;e o seu fruto é doce ao meu paladar.
4 Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.
5 Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.
6 A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.
7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira.
8 Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.
9 O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.
10 O meu amado fala e me diz: Levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
11 Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
12 Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
13 A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem.
14 Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face graciosa.
15 Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.
16 O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.
17 Até que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter.



Cânticos 2:1-17



quinta-feira, 9 de julho de 2015

Wellington apresenta Projetos de Lei em benefício dos doadores de sangue

Durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (9), o deputado Wellington do Curso (PPS) apresentou dois Projetos de Lei em defesa dos doadores de sangue: um institui a Semana Estadual de Orientação e Incentivo à Doação de Sangue nas escolas de Ensino Médio das redes pública e privada; o outro dispõe sobre a baixa de pontuação na Carteira Nacional de Habilitação aos doadores de sangue do Maranhão.

De acordo com o parlamentar, que sempre esteve em defesa da solidariedade, tornam-se pertinentes os projetos, visto que, à medida com que cresceu o número de doadores, é importante que a população saiba que a necessidade de transfusões também aumentou.

"A doação de sangue é um ato que atrela a si a solidariedade e a preocupação com o próximo. Quem doa sangue, doa vida. O banco de sangue sempre está precisando de doação. Ao longo dos anos, o número de pessoas que doam constantemente cresceu, mas é importante que a população saiba que a necessidade de transfusão também aumentou. A Semana deverá ocorrer no mês de novembro, em alusão ao Dia Nacional do doador de sangue; quanto ao espaço físico, salienta-se que a Escola, além de ser um espaço propulsor do conhecimento, é um espaço direcionado à formação do senso crítico e, ainda, da ênfase nos valores sociais e direitos fundamentais da terceira geração", justificou.

Sobre o outro Projeto, o parlamentar ressaltou que a medida não prevê a exclusão de pontos que sejam fruto de infrações gravíssimas, mas uma forma de incentivar as pessoas a doarem sangue.


quarta-feira, 8 de julho de 2015

Prefeito Edivaldo e governador Flávio Dino anunciam construção de 14 vias interbairros

O prefeito Edivaldo e o governador Flávio Dino assinaram nesta segunda-feira (6), no Palácio dos Leões, a ordem de serviço para construção de 14 novas vias interbairros, que vão melhorar de forma significativa a mobilidade urbana na capital maranhense. Com investimentos da ordem de R$ 32 milhões, resultado de parceria celebrada entre a Prefeitura de São Luís e o governo do Estado, o "Projeto Interbairros" vai criar vias alternativas e paralelas para desafogar os grandes corredores de fluxo intenso da cidade. A previsão é que as intervenções sejam concluídas em um prazo de seis meses.
O prefeito Edivaldo destacou a importância da obra para a melhoria da mobilidade urbana na capital e para a qualidade de vida da população ludovicense. "São 14 grandes intervenções no trânsito, que vêm ao encontro dos anseios da população, que sempre demandou melhorias nessa área. Trata-se de mais uma importante parceria celebrada entre o governo do Estado e a Prefeitura, nesse novo momento no qual o Estado e Município trabalham juntos em favor da cidade e da população", ressaltou Edivaldo.
As 14 novas vias vão fazer a conexão entre os bairros e terão um traçado geométrico de forma que os veículos não necessitem trafegar pelas vias principais para chegar ao seu destino. Ao todo serão 21,4 quilômetros de novas vias que representam melhoria do aspecto urbanístico, proporcionam bem-estar e mais qualidade de vida ao cidadão e nova configuração ao trânsito de São Luís.
O governador Flávio Dino relatou que as intervenções foram planejadas para proporcionar melhorias efetivas e concretas à mobilidade urbana da capital. "É isso que buscamos: realizar intervenções que transformem de fato a vida das pessoas, que beneficiem o cotidiano da população, que deem sinergia à cidade e contribuam, inclusive, com o desenvolvimento da economia local. São Luís tem recebido um olhar todo especial da nossa gestão e isso é só o começo", disse o governador Flávio Dino.
As vias interbairros foram planejadas pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp) e serão executadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Os serviços serão realizados pela empresa Edeconsil Engenharia. O titular da Semosp, Antônio Araújo, fez a apresentação detalhada do projeto durante o lançamento da ação. O secretário explicou as interconexões e informou que todas as vias vão receber asfalto de qualidade, drenagem superficial com sarjetas, meios-fios e calçadas, além de sinalização horizontal e vertical, que modificarão todo o aspecto urbanístico, proporcionando ainda mais fluidez ao tráfego de veículos.
Entre as interconexões que vão ser implementadas estão a ligação entre os bairros do Vinhais Velho e Recanto dos Vinhais à Avenida Daniel de La Touche; Estrada da Maioba à Avenida dos Holandeses; Via Expressa com a Rua A, no Maranhão Novo; Rua 21 com a 38, interligando a Cidade Operária ao Jardim São Cristóvão; Rua Boa Esperança à Rua do Aririzal; Rua Duque de Caxias e Derci Batista interligando o Pão de Açúcar ao Bequimão.
Serão interligadas ainda a Avenida 2 com a Rua Haroldo Paiva, a Avenida Sabiá à Vila Maranhão, a Rua São Bento à Vila Conceição, a Rua do Arame ao São Cristóvão, a Rua Projetada ao João Paulo, Rua da Boa Esperança ao Angelim e Turu. "Todas as vias planejadas criam rotas alternativas e proporcionam novas opções de tráfego para motoristas e pedestres, ou seja, haverá mais opções para escolher o percurso que se vai utilizar para deixar o filho na escola ou ir para ao trabalho, por exemplo", disse Antônio Araújo.
O titular da Sinfra, Clayton Noleto, frisou que, embora sejam intervenções pontuais, elas representam um grande esforço de engenharia que vão apresentar resultados reais de melhoria no trânsito da capital, em pouco tempo. "Vamos trabalhar dia e noite, ininterruptamente, para entregar esse conjunto de obras o mais rápido possível à população", frisou Noleto.
Participaram ainda do lançamento do "Projeto Interbairros" o presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputado Humberto Coutinho; o deputado federal Weverton Rocha, que no ato representou a Câmara Federal; além de secretários municipais e estaduais, parlamentares estaduais federais, entre outras autoridades políticas.
MAIS ASFALTO
Ainda como resultado de parceria celebrada com o governo do Estado, a Prefeitura de São Luís também está realizando obras de requalificação de aproximadamente 120 km de avenidas e ruas de bairros, por meio do programa estadual "Mais Asfalto". Só na região Itaqui-Bacanga, vão ser recuperados mais de 36 quilômetros de vias urbanas. Os serviços já começaram no Anjo da Guarda e Vila Embratel, e abrangerão ainda os bairros do São Raimundo, Vila Bacanga, Vila Isabel, Vila Ariri, Vila São Luís, Vilas Mauro Fecury I e II e Alto da Esperança.
Os demais bairros da capital maranhense contemplados com a requalificação de pavimentação asfáltica são a Cidade Operária - onde os serviços também já iniciaram nos 42,1 quilômetros previstos -, a Cohab, com 10,9 quilômetros; João de Deus e São Bernardo, com 7,4 quilômetros; Vila Luizão, com 9 quilômetros; Coroadinho e Vila Nova República, com 6,7 quilômetros cada um. A extensão total abrange aproximadamente 300 vias, a maioria componente do corredor de ônibus, com camada asfáltica comprometida devido à presença de buracos ou fissuras.

domingo, 5 de julho de 2015

Todo jardim começa com uma história de amor


Por Rubem Alves
Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles.

Uma análise crítica do conceito de política na visão de Aristóteles


Por Rodrigo Pereira Costa Saraiva

Antes de analisar o conceito de política para o filósofo Aristóteles, se faz necessário traçar algumas diretrizes a despeito da política, a primeira delas: é que a política não se resume a sua vertente partidária, em outros termos, a política não se resume tão somente a política eleitoral, aos partidos políticos, a segunda: buscar-se-á neste trabalho relatar a essência da política, ou seja, abordar o verdadeiro espírito e a finalidade da política no contexto social brasileiro.
Para se falar em política na visão aristotélica, é interessante se narrar de forma breve a história do surgimento da política no mundo, este se deu simultaneamente com a origem e formação da família. A família surgiu de uma necessidade de relacionamento entre os homens nas épocas mais remotas de nossa civilização, mais adiante se vislumbrou a relação homem e mulher, a relação do homem com a sua propriedade, a relação do homem com o seu escravo. A relação de escravidão é bastante peculiar, posto que esta relação remete a ideia de subordinação absoluta, nesse sentido a relação é entre uma pessoa (dono) e uma coisa (escravo), de outra maneira o escravo não detinha nenhum direito, era um mero objeto. Ainda cabe salientar que existem outras concepções do termo escravidão, como aquela em que o próprio indivíduo se escraviza, ou seja, existem pessoas que são escravos de sua ignorância, falta de conhecimento, falta de virtudes e, talvez seja esta a pior modalidade de escravidão.
 Nesse diapasão, Aristóteles ressalta:
“É dessas duas associações, entre o homem e a mulher, e o senhor e o escravo, que se forma inicialmente a família [oikía]; e foi com razão que Hesíodo disse que a primeira família foi composta “pela mulher e o boi feito para o labor”, pois o boi exerce o papel do escravo entre os pobres. A família é, pois, a associação estabelecida pela natureza para atender às necessidades do dia-a-dia do homem, constituída pelos, como disse Carondas, vivem da mesma provisão, ou, como disse Epimênides de Creta, partilham o sustento".
É interessante a concepção de família e das relações sociais de Aristóteles, doravante cabe uma crítica, tal entendimento do filósofo é excelente para a época em que foi construída, atualmente se concebe como ilegal à relação de escravidão. Desse comentário do autor pode-se extrair em suma que as necessidades fizeram com que o homem se relacionasse, que a partir dessa relação associativa futuramente nasce à política. Note bem que apesar dos milhares de anos entre o que escreveu o ilustre filósofo e a realidade atual, ainda se vê hoje a relação de escravidão, alguns empregadores transformam seus empregados em verdadeiros escravos, a título de exemplo o que ocorre na região sudeste com as confecções têxteis, caso dos bolivianos e demais estrangeiros escravizados nessas fábricas.
Nessa linha de raciocínio, Aristóteles aduz:
“A sociedade que se forma em seguida, formada por várias famílias, constituídas não só para apenas atender às necessidades cotidianas, mas tendo em vista uma utilidade comum, é a aldeia (komé). Ela assemelha-se a uma colônia de famílias. Cujos membros foram alimentadas pelo mesmo leite. É por isso que as cidades foram originariamente governadas por reis, como ainda hoje o são algumas nações, posto que eram constituídas pela reunião de pessoas que já viviam sob o governo de um rei: toda casa, com efeito, sendo governada pelo componente mais velho da família, tal como por um rei, continuava a viver governada pela mesma autoridade, em razão do parentesco”.
Eis o ponto crucial do surgimento da política, foram as diversas relações experimentadas pelo homem, seja com a sua mulher, seja com o seu escravo, seja com outras famílias dentro de sua comunidade ou aldeia, todo esse conjunto de relações fez com que surgisse necessariamente a política, em seu termo original, a política é a arte de convencer(poder de convencer outrem), da palavra, da argumentação num debate de ideias, a política enquanto um poder, poder esse que exerce um chefe de família no seio familiar, poder esse que exerce um rei no que toca aos seus súditos. O termo “Poder” tem uma gama variada de significados, aqui irá se tomar poder como ferramenta para a arte de convencimento, seja pela força, seja pela articulação, seja pela arte de melhor administrar, seja provocando medo ou temor nas pessoas.
Nessa linha de raciocínio, Aristóteles ressalta:
“Fica evidente, pois, que a Cidade é uma criação da natureza, e que o homem, por natureza, é um animal político [isto é, destinado a viver em sociedade], e que o homem que, por sua natureza e não por mero acidente, não tivesse sua existência na cidade, seria um ser vil, superior ou inferior ao homem. Tal indivíduo, segundo Homero, é “um ser sem lar, sem família, sem leis”, pois tem sede de guerra e, como não é freado por nada, assemelha-se a uma ave de rapina”.
Nessa perspectiva cabe acrescentar que o surgimento da política se deu em meio ao surgimento das relações entre as pessoas, surgimento da sociedade, da própria Cidade (Pólis), na visão deste autor a política surgiu naturalmente das necessidades a serem supridas no dia-a-dia. Cristalino é que o homem por ser um animal necessariamente político vive em uma sociedade, mas cabe aqui uma reflexão: Por que o homem vive em sociedade? Por que o homem é um ser político? Par responder tais questões é necessário retomar a ideia de política enquanto o poder de convencer outrem, ou seja, o homem nas épocas mais remotas percebeu que era mais prático, mais fácil e menos arriscado viver em grupo do que viver isolado, como um nômade. Posto isto, é evidente que o líder de um bando, grupo de homens se utilizou da política para convencer a todos a viverem em conjunto, o que mais tarde fez surgir às sociedades e as cidades, cabe salientar que a posição do filósofo em análise é diversa, ele acredita que a Cidade é anterior a tudo. A arte do convencimento, o poder da palavra, a capacidade de dialogar com intuito de convencer, de ter a sua concepção como a preponderante é o conceito resumido da política.
O ilustre filósofo salienta:
“Assim, por natureza a Cidade é anterior à família e ao indivíduo, uma vez que o todo é necessariamente anterior á parte. Se o corpo é destruído, não existirá nem o pé nem a mão, exceto por simples analogia, quando se diz, por exemplo, de uma mão de pedra. Todas as coisas são definidas pelas suas funções; e sim que tão-somente têm o mesmo nome (homônima). Dessa forma, é evidente que a Cidade existe por natureza e que é anterior ao indivíduo; pois o indivíduo não tem a capacidade de bastar-se a si mesmo; e; relativamente à cidade, está na mesma situação que a parte relativamente ao todo. Ora, homem que não consegue viver em sociedade, ou que não necessita viver nela porque basta em si mesmo, não faz parte da Cidade; por conseguinte, deve ser uma besta ou um deus. Assim, há em todos os homens uma tendência naturala uma tal associação; aquele que a fundou no princípio foi o maior dos benfeitores. Pois o homem, quando atinge esse grau de perfeição, é o melhor dos animais, mas, quando está separado da lei e da justiça, ele é o pior dentre todos”. (grifo nosso)

O filósofo parte de uma premissa que a cidade é anterior ao indivíduo e a própria família, ou seja, o estudo dele tem como ponto de partida a ideia clara de que a cidade é o alpha e que tudo decorre dela. Nessa linha de pensamento, cabe a reflexão que se a cidade é o todo e o indivíduo é uma parte deste todo, o que precede este todo? Como era a civilização no mundo antes da formação da cidade? O homem que não vive em sociedade é necessariamente um deus ou uma besta? Para responder eminentes questionamentos tem-se que destacar a posição de Aristóteles, este expressava nas suas ideias a teoria naturalista, de outra forma, de que a Pólis surgiu naturalmente, em outras palavras ela foi a origem de tudo. Critica-se tal posição posto que não a como se conceber que a Cidade surgiu antes do indivíduo, antes da sociedade, antes da própria política, senão veja que para a formação de uma sociedade organizada, a formação de uma Pólis, é extremamente necessário, primeiro a existência de indivíduos, sem a qual não existe sociedade e nem a cidade e, que os indivíduos se utilizem de uma das vertentes da política, ou seja, que certos indivíduos lancem mão do poder de convencimento, da persuasão, do diálogo, do poder de influência ideológica para que seja daí formada um grupo, formada uma comunidade, formada uma tribo, formada uma cidade,etc. Nessa senda, fica evidente que a política é a precursora, em outros dizeres, sempre existiu a política, visto isso é plenamente possível que um homem viva fora da sociedade, seja um eremita, não há óbice para que o homem viva tranquilamente fora do seio de uma sociedade e nem por isso deve ser considerado um deus ou uma besta. Importante é relatar como era o mundo nos tempos mais remotos, antes da formação da Cidade, será que era um caos, uma desordem plena, ou um meio-termo entre a ordem e o caos? Não se sabe com certeza tais respostas, doravante é imperioso salientar que naquela época seja qual dessas situações prosperou dali, já se percebeu a utilização da política mesmo que de um modo primitivo, seja na hora de caçar, seja na hora de coletar alimentos, seja na hora de se proteger ou de se agrupar, ou de se proteger do frio ou de animais ferozes, o homem primitivo usou da arte e do poder do convencimento e, não existe forma melhor de convencer outrem do que a real necessidade, e até nesses casos de tribos bem antigas se usava a política da violência, determina e manda o mais forte. O homem enquanto ser político, dotado de razão, diferentemente dos demais animais, sempre vai ter uma nova necessidade e, necessidade de se proteger, necessidade de aprender e buscar novos conhecimentos, etc, dessa necessidade surge à política.
Os conceitos de política, da relação entre homem e mulher, escravidão de Aristóteles são muitos importantes até hoje, doravante deve-se ter cuidado posto que tais conceitos não são aplicáveis atualmente como o foram na época. Em suma, o atual conceito de política vai muito além daquele tido como correto pelo senso comum no Brasil, alguns populares falam com fervor: “Eu não me envolvo em política”, mas calma ao se expor essa frase o indivíduo está fazendo política, ou seja, ele não está somente se envolvendo como produzindo, como expondo aos demais sua posição com o intuito de convencer ou meramente informar alguém sobre a sua pretensão de não se meter em política, ou seja, para este indivíduo a ignorância prospera, reduzir a política ao período prévio e posterior as eleições e ao direito eleitoral é um tremendo absurdo. Nessa banda, até mesmo esse que vos escreve está fazendo política, querendo que a sua tese, a sua posição seja a preponderante, sirva de base e influência para outras teses. Isto posto, não a razão para reducionismo no que tange ao conceito de política, mesmo que a cultura do reducionismo seja disseminada pelo Brasil.
Ainda no que tange a este assunto vale a pena relembrar a cultura do reducionismo, esta é aplicada em larga escala no Brasil, posto que é bem mais interessante aos detentores do poder econômico e do poder político deixar o cidadão no escuro, na ignorância do que lhe proporcionar à luz, lhe proporcionar o conhecimento, a título de exemplo: ao se retomar ao questionamento anteriormente feito a um cidadão, o que você entende por política? Este vai de pronto responder: são as eleições, os políticos corruptos do congresso nacional, não me envolvo em política, voto por que sou obrigado, etc. A questão crucial é o porquê disto? Por que reduzir o conceito de política a isto? Há possibilidade de mudança nesse cenário? A expectativa é que a mudança comece agora, inclusive com as revoltas e protestos sociais, e uma transformação do pensamento e da reflexão das pessoas, essa devendo ser paulatina e não abrupta que não surta o efeito esperado tanto no indivíduo, na sua família e na sociedade.
Em outra perspectiva, não se deseja aqui fechar, petrificar um conceito de política, dar um conceito único sobre o que é a política para todos os seus campos de estudos, aliás não se acredita num conceito único, isto depende de cada seara aonde é estudada a política, em exemplo: a política financeira, a política jurídica, a política eleitoral e partidária, a política econômica, a política de mercado, dentre outras. Neste diapasão, se fixa uma premissa de que o conceito de política é dinâmico, acompanha o desenrolar dos fatos sociais, acompanha a evolução da sociedade, doravante isto, pode-se de forma genérica analisar a política como sendo a arte do convencimento, da persuasão, arte da argumentação com intuito de convencer alguém ou todos que a sua ideia é a correta para certo caso, conclui-se que a política deve ser vista pelos cidadãos brasileiros na perspectiva narrada neste texto, ou seja, que o cidadão abra sua mente, comece a olhar as coisas ao seu redor de uma outra forma, retire aos poucos das suas entranhas essa cultura reducionista absurda não somente no que toca ao conceito de política.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
ARISTÓTELES. POLÍTICA. COLEÇÃO OBRA-PRIMA DE CADA AUTOR. ED. MARTIN CLARET LTDA. 6 º EDIÇÃO. 2013. TRADUÇÃO DE POLITIKÓN, PEDRO CONSTANTIN TOLENS.

Sobre o autor:
Rodrigo Pereira Costa Saraiva, OAB/MA nº 10.603
Advogado e consultor jurídico em São Luís- Ma, Professor do Curso Preparatório para o Exame da ordem do Imadec, diretor do Escritório Rodrigo Saraiva Advocacia e Consultoria Jurídica, Coordenador do grupo de estudos em Direito Constitucional da Oab/Ma desde 2013. Doutorando em Direito pela UNLZ (Universidade Nacional de Lomas de Zamora), membro da comissão dos jovens advogados da OAB/MA